‘O partido que se explique’, afirma Mourão sobre laranjas do PSL

Notícias ao Minuto Brasil

Ovice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que a apuração da Polícia Federal sobre candidatos laranjas do PSL é “um problema do partido”.

Filiado ao PRTB, única legenda a se coligar com o PSL de Jair Bolsonaro, Mourão nega que a apuração possa atingir o governo e o próprio presidente.

“O presidente pertence ao PSL, mas [isso] não tem nada a ver com a campanha dele. Então é problema do partido. O partido que se explique”, afirmou.

Ao deixar o Palácio do Planalto na noite desta terça-feira (12), Mourão disse não saber se Bolsonaro pediu explicações ao PSL sobre as suspeitas.

Reportagem da Folha de S. Paulo de domingo (10) revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa eleita com 1,079 milhão de votos.

O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. Na época, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), com foco em discurso de ética e combate à corrupção.

Apesar de ser uma das campeãs de verba pública do PSL, Lourdes teve uma votação que representa um indicativo de candidatura de fachada, em que há simulação de atos de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

A PF intimou Lourdes a prestar depoimento na superintendência no Recife. A fala dela está marcada para às 11h desta quinta-feira (14). Na manhã desta terça, a reportagem esteve na residência de Maria de Lourdes e na sede do PSL em Pernambuco. Ela não foi encontrada em nenhum dos dois lugares. Com informações da Folhapress.

Lobão sugere envolvimento de Wyllys em atentado a Bolsonaro

O cantor Lobão, famoso crítico do PT e da esquerda brasileira, causou mais uma polêmica nesta sexta-feira sobre a decisão do deputado federal Jean Wyllys de abrir mão de seu novo mandato e deixar o Brasil alegando sofrer ameaças. Em seu perfil no Twitter, o músico insinua que o político do Psol teria envolvimento no atentado contra o presidente Jair Bolsonaro, cometido por Adélio Bispo dos Santos, ainda durante as eleições.

Lobão

@lobaoeletrico

ESSA PARADA DE JEAN WILLIS SAIR DO BRASIL E DEIXAR A VIDA PÚBLICA SÓ LEVANTA SÉRIAS SUSPEITAS SOBRE SEU ENVOLVIMENTO NA TENTATIVA DE ASSASSINATO A JAIR BOLSONARO.,DEVE SER INVESTIGADO IMEDIATAMENTE.
ESSE PAPO É LOROTA.

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O assunto e a hashtag #InvestigarJeanWillis alcançou rapidamente os Trending Topics Brasil, os assuntos mais comentados no Twitter, após a publicação de Lobão. Defensores do músico e de Wyllys travam uma discussão na web desde o comentário

Criticando juíza, Moro e Bolsonaro, Lula entrega defesa sobre sítio

Notícias ao Minuto Brasil

Adefesa do ex-presidente Lula entregou na noite desta segunda-feira (7) as alegações finais na ação penal do sítio de Atibaia (SP), em que é acusado de corrupção e lavagem.

Os advogados pedem a absolvição e criticam o ex-juiz Sergio Moro, a atual juíza responsável, Gabriela Hardt, e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A entrega desse documento é a última fase antes da publicação da sentença por Hardt no caso.

Os advogados produziram um documento de 1.634 páginas e 23 documentos anexos.

Um dos principais argumentos da defesa é a suposta parcialidade de Moro, que comandou o caso até novembro, quando deixou a magistratura para ser ministro da Justiça de Bolsonaro.

A defesa, comandada pelo advogado Cristiano Zanin, voltou a afirmar que o ex-presidente é vítima de “lawfare” -uso de instrumentos jurídicos para perseguição política.

Cita ataques de Bolsonaro a Lula ao longo da campanha eleitoral, como a declaração de que iria “fuzilar a petralhada”, para reforçar a contestação à nomeação de Moro para o governo.

“A pessoa que aceitou comandar o ‘Ministério da Justiça ampliado’ do presidente eleito -o mesmo que afirmou que o defendente [Lula] irá ‘apodrecer na cadeia’ e que seus aliados serão presos se não deixarem o país e o juiz que tomou diversas medidas ilegais e arbitrárias contra o defendente com o objetivo de promover o desgaste da sua imagem”, diz trecho do documento.

Lula está preso em Curitiba desde abril em decorrência de condenação em outro processo da Lava Jato, sobre o tríplex em Guarujá (SP) reformado pela OAS. Com informações da Folhapress.

Saiba como será o primeiro Natal de Lula como detento

Natal de 2018 será o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva como detento. Preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde abril deste ano, o ex-presidente passará a data festiva sozinho, sem ceia e sem nenhum privilégio.

De acordo com o jornal “O Globo”, Lula não pode receber visitas de familiares em feriados e nem receber comidas especiais, pois a Polícia Federal não permite. Sendo assim, o petista vai comer cardápio padrão na cela: arroz, feijão, salada e carne. Antes do feriado, os visitantes só podem levar alimentos não perecíveis, como chocolates e frutas secas, por exemplo.

Para tentar amenizar a solidão do ex-presidente da República, petistas pretendem fazer nesta segunda (24), véspera de Natal, uma celebração no acampamento “Lula Livre”, localizado num terreno à frente da sede da PF.

“Desde a prisão, foi definido que não deveríamos deixá-lo sozinho. Numa data dessas, é mais simbólico e importante que ele não se sinta só”, disse ao “O Globo” Luiz Marinho, presidente do PT-SP.

No réveillon, o tratamento dado a Lula deve ser a mesmo do Natal.

Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo ex-juiz federal Sergio Moro, que comandou a Lava Jato, e cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

 

Bolsonaro faz 1ª reunião com os 22 ministros indicados nesta quarta

Notícias ao Minuto Brasil

Opresidente eleito, Jair Bolsonaro, desembarca hoje (19) em Brasília para comandar a primeira reunião ministerial com sua equipe completa. Os 22 ministros já indicados deverão estar presentes na residência oficial da Granja do Torto, utilizada por Bolsonaro como residência oficial quando está em Brasília.

A previsão é de que a reunião comece por volta das 10h e termine às 16h. Não há detalhes sobre pauta nem entrevistas. Bolsonaro pretende retornar para o Rio de Janeiro às 19h. Depois, só voltará a Brasília às vésperas da cerimônia de posse. A data ainda está sendo fechada entre 27 e 29 de dezembro.

Ontem (18), vários ministros já indicados se reuniram com suas equipes no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, que se transformou em gabinete de transição desde 5 de novembro. Eles usaram o dia para finalizar o desenho da estrutura e as prioridades que terão de tocar a partir de janeiro.

A expectativa é de que esse tema seja tratado na reunião pelo presidente eleito. Ontem, em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro reconheceu que a “barra vai ser pesada”, tão logo assuma o poder, e pediu ajuda de todos para governar.

“Está chegando o grande dia: 1º de janeiro, quando iniciaremos o nosso governo. Mais do que nunca, preciso de vocês ao nosso lado porque a barra vai ser pesada. Ninguém acreditava. Ninguém que estava lá no poder acreditava nessa vitória. Teremos problemas lá na frente? Sim. Mas acredito em Deus e no apoio de vocês.”

A primeira reunião ministerial, com a equipe incompleta, foi conduzida por Bolsonaro no momento em que ele ainda escolhia nomes para o primeiro escalão de governo.

“República de Curitiba” deve ampliar presença em diretorias da PF de Moro

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

18/12/2018 04h01

Cada vez mais próxima de sua formação para o início do governo Bolsonaro, a Polícia Federal (PF) deve contar, em sua diretoria, com mais nomes oriundos da “República de Curitiba” – apelido dado ao grupo de investigadores da Operação Lava Jato vindos da capital paranaense. A PF é subordinada ao Ministério da Justiça, que ficará a cargo de Sergio Moro, notório pelo julgamento de casos da Lava Jato em primeira instância.

O time de Maurício Valeixo, escolhido pelo ex-juiz para ser diretor-geral da PF, ainda não está confirmado. Mas deve ser reforçado com Igor Romário de Paula para chefiar a Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado), o braço mais operacional do órgão, de acordo com fontes ouvidas pelo UOL. Igor é delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado na PF do Paraná, liderando o grupo de trabalho da Operação Lava Jato no estado.

O ex-juiz Moro deu liberdade para Valeixo montar sua equipe. O futuro diretor do órgão não bateu o martelo em relação a Igor. Há outros sondados para o cargo, mas o sentimento na corporação é que o delegado do sul ficará no posto.

Igor é um dos mais experientes do grupo da Lava Jato. Em janeiro de 2017, ele criticava o fato de a Polícia Federal do Paraná, sempre parceira do Ministério Público nos acordos de colaboração premiada, ter ficado de fora das negociações quando foi fechado o pacto com a Odebrecht. “É bem provável que haja a necessidade de um recall no caso da Odebrecht“, previu. Dos 89 inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal) a partir da colaboração de executivos da empreiteira, 22 foram arquivados até este mês, quase dois anos depois.

Valeixo também estuda chamar mais um importante nome da Lava Jato no Paraná para trabalhar com ele em Brasília. O chefe do setor de perícias do Paraná, Fábio Salvador, é um dos mais cotados para ser diretor Técnico Científico da PF. Hoje, ele lidera o time que analisa os milhares de gigabytes de documentos digitalizados após serem apreendidos em alguma das 60 fases da Operação desde 2014.

Os laudos produzidos pela equipe de Salvador vão desde estudos contábeis e de engenharia para comprovar superfaturamentos em obras, passando por análises sobre anotações em papeis, agendas e emails, até fotografias de roupas que indicam usuários de imóveis — como no caso do sítio de Atibaia atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma portaria baixada pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, limitou a nomeação de diretores da polícia a servidores com mais experiência em cargos de direção. Três fontes ouvidas pelo UOL entendem que isso impediria o delegado Igor de assumir uma diretoria no edifício-sede da corporação em Brasília. Mas, ainda assim, não haveria problema. “Basta o ministro atualizar a portaria, pode ser o atual ou o futuro ministro”, esclareceu um ex-policial ligado à gestão da PF.

Moro priorizou equipe da operação

As mudanças dentro da PF refletem a opção escolhida pelo futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, de montar equipes com as quais trabalhou durante a maior operação anticorrupção da história recente do país.

O ex-juiz já nomeou a delegada Érika Marena, “madrinha” do nome da Lava Jato, para o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional). Para uma assessoria de integração de operações em todo o país, Moro nomeou Rosalvo Franco, ex-superintendente da PF no Paraná. Para o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), o escolhido foi Fabiano Bordignon, chefe da polícia em Foz do Iguaçu (PR).

O diretor-geral da PF que está encerrando seu mandato é Rogério Galloro. Assim como Valeixo, ele compôs a equipe do ex-diretor Leandro Daiello, o mais longevo diretor do órgão. Galloro recebeu convite para atuar como assessor especial no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A mudança ainda não está acertada.

PT pede à PGR que investigue Flávio e Michelle Bolsonaro

MÔNICA BERGAMO – SÃO PAULO, SP – Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Paulo Teixeira (PT-SP) propuseram nesta quinta (6) à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma representação criminal contra o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Jair Bolsonaro que foi eleito senador, e Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito e futura primeira-dama do país.

Eles pedem que a procuradora-geral Raquel Dodge aprofunde investigações “acerca da origem e destinação” de R$ 1,2 milhão que foram movimentados por um ex-assessor e motorista de Flávio Bolsonaro, o PM Fabrício José Carlos de Queiroz.

As atividades financeiras do ex-funcionário foram relatadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que as considerou atípicas e incompatíveis com os rendimentos oficiais e as atividades profissionais do policial.

Uma das transações de Queiroz citadas pelo Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado a Michelle Bolsonaro.

O motorista do filho de Bolsonaro fez ainda saques em dinheiro que chegaram a R$ 320 mil no período de um ano. Do total, R$ 159 mil foram sacados de uma agência bancária que fica no prédio da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

O caso foi revelado nesta quinta (6) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O documento do Coaf foi anexado a uma investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou dez deputados estaduais e seis funcionários da Alerj à prisão, acusados de receber um “mensalinho” num esquema de corrupção.

“Esses valores [que passaram pela conta do ex-motorista de Flávio Bolsonaro] não era um mensalinho? Era o quê?”, questiona o deputado Paulo Pimenta. Na representação, ele pede que seja apurada a participação de Flávio Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro “em possíveis ilícitos criminais”. Com informações da Folhapress.

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Indagado sobre Onyx, Bolsonaro diz que vai usar caneta se houver ‘denúncia robusta’

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta quarta-feira (5) que vai “usar caneta” se houver “denúncia robusta” contra o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil.

Bolsonaro deu a declaração em entrevista após solenidade no Exército em Brasília. O presidente foi condecorado pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, por ter salvo, em 1978, um soldado de um afogamento.

“Olha só, em havendo qualquer comprovação obviamente ou uma denúncia robusta contra quem quer que seja do meu governo que esteja ao alcance da minha caneta ‘Bic’, ela será usada”, disse.

Após evento em Belo Horizonte (MG), nesta quarta, o vice-presidente da República eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), disse que é “óbvio” que Onyx “terá que se retirar do governo” caso seja comprovado o envolvimento do deputado em irregularidades.

“Uma vez que seja comprovado que houve a ilicitude é óbvio que o ministro Onyx, ele terá que se retirar do governo, mas por enquanto é uma investigação e ele prossegue aí com as tarefas dele. Nada mais do que isso”, disse Mourão.

Denúncia

Onyx Lorenzoni foi citado em depoimentos de acordo de delação premiado de executivos da J&F. Delatores do grupo entregaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma planilha que, segundo os colaboradores, comprova que Onyx recebeu um repasse de R$ 100 mil por meio de caixa 2 em 2012.

Em apuração prévia, a partir de delação premiada do grupo, a PGR analisa se houve repasse de caixa dois a Onyx e outros políticos. Depois dessa apuração prévia é que a PGR decidirá sobre abertura de inquérito ou arquivamento.

Nesta terça (4), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin determinou o fatiamento da delação de executivos do grupo J&F e mandou instaurar procedimentos individuais de apuração de citações a dez parlamentares nos depoimentos dos delatores. Entre esses parlamentares, está o deputado federal Onyx Lorenzoni.

Moro quer seguir modelo da Operação Lava Jato no Ministério da Justiça

 

Camila Mattoso
BRASÍLIA

Desde que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça, Sergio Moro cercou-se de delegados da Polícia Federal para os cargos estratégicos e definiu as principais linhas de atuação para a pasta.

Diariamente presente no gabinete de transição do governo, em Brasília, o ex-juiz federal vem demonstrando que tratará como prioridade duas das principais bandeiras de campanha do presidente eleito: o combate à corrupção e a redução dos números de violência.

Os discursos e as nomeações até agora foram nesse sentido, tendo como modelo declarado o da Operação Lava Jato, carro-chefe de sua carreira na Justiça Federal.

A estrutura anunciada por Moro tem o objetivo central de mirar o combate à lavagem de dinheiro, tanto para crimes de corrupção como para tráfico de drogas, e, de outro lado, trabalhar em cima da integração entre policiais de todo o país.

Serão esses os principais pilares da próxima gestão.

Como mostrou a Folha, a estratégia do novo ministério será de asfixiar o crime organizado, atacando o patrimônio dos envolvidos.Os momentos de Moro

Os coordenadores de dois postos-chave, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ainda não foram anunciados, mas devem vir de outros setores da administração pública.

O futuro da Funai (Fundação Nacional do Índio) ainda é incerto. Como mostrou a Folhahá uma discussão entre membros do governo eleitode onde o órgão deve ficar.

A ideia tem gerado apreensão entre servidores da Funai, indigenistas, antropólogos e indígenas, que temem a transferência da fundação para alguma pasta controlada pelo agronegócio.

A criação de uma nova secretaria, de Operações Policiais Integradas, e a inclusão do Coaf ao Ministério da Justiça são algumas das ações de Moro no sentido das prioridades do governo —o Coaf atualmente está no guarda-chuva do Ministério da Fazenda.

A secretaria nova ficará com Rosalvo Ferreira, que foi superintendente da PF no Paraná durante toda a Lava Jato. A opção por um policial federal foi tratada internamente como a mais lógica, para evitar que houvesse conflitos entre policiais militares e civis.

Além de secretarias, a pasta impulsionará a montagem de forças-tarefas para os assuntos mais importantes, concentrando esforços em temas específicos.

Em entrevistas, o ex-magistrado também vem se posicionando sobre as missões que traçou.

Referência da operação que prendeu políticos e empreiteiros em todo o Brasil, o ex-juiz tem como desafio mostrar que é capaz de dar conta dos problemas de violência.

Ao atacar um projeto de lei incentivado por alvos da Lava Jato para afrouxar penas de corrupção, por exemplo, o futuro ministro fez questão de ser mais incisivo na questão da segurança pública.

Ele criticou, por exemplo, a tentativa de se combater a superlotação nos presídios suavizando as condenações e falou também da necessidade da disciplina para os presos.

Nesta terça, ele participou de reunião com representantes das Forças Armadas, que apresentaram dados da área. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, publicou uma foto em seu Twitter, na qual também apareceu o general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa do governo Bolsonaro.

De acordo com pessoas ouvidas pela Folha, Moro trabalhará para promover o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), aprovado como lei no meio deste ano.

O programa é tido como um legado deixado pelo atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e foi criado para unificar policiais e os sistemas de segurança do país.

A maior das conquistas, segundo os criadores, é a da formação de um banco de dados nacional sobre criminalidade. “Conversei bastante com ele [Moro] sobre o assunto. Eu disse que o principal passo que deve ser dado para a promoção do Susp é a definição da estratégia para se cumprir a meta de redução de homicídios, de uma taxa de 3,5%”, afirmou Jungmann à Folha.

“Antes a gente tinha aquilo que eu chamo de cemitérios de anjinhos, que eram os planos de segurança pública. Eles duravam o tempo que o ministro ou o governo durava. Agora, eles duram para sempre, está na lei”, completou.

O atual ministro disse ter sido convidado por Moro para ser uma espécie de conselheiro informal ao final do governo.

Em sua opinião, o futuro chefe da Justiça deve chamar pessoas de fora da PF para compor a pasta. “Até aqui se apoiar na PF é se apoiar em um das maiores polícias do mundo. Mas Moro deve diversificar, para melhorar a articulação. É preciso contar com municípios também e com estados”, respondeu.

Para cinco dos principais postos do próximo ministério, os indicados são todos da Polícia Federal: Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Pontel de Souza, secretário-executivo, Rosalvo Ferreira, secretário de Operações Policiais Integradas, Fabiano Bordigon, chefe do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) e Erika Marena, chefe do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação).

Todos eles tiveram de alguma forma passagem pela Lava Jato.

Há ainda dois delegados da PF que devem ter espaço na pasta: Marco Aurelio Moura, corregedor-geral do Ministério de Segurança Pública, e Rogério Galloro, diretor-geral.

‘Quem define gênero é a natureza’, diz futuro ministro da Educação

Por Aline Pavaneli, G1 PR — Londrina

Ricardo Vélez Rodríguez deu entrevista nesta segunda-feira (26) em Londrina, no norte do Paraná, onde trabalha mora com a família — Foto: Reprodução/RPC

O futuro ministro de Educação do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Vélez Rodríguez, disse que “quem define gênero é a natureza”, ao justificar o motivo de discordar da discussão de gênero em sala de aula.

Rodríguez falou com a imprensa, pela primeira vez, no início da noite desta segunda-feira (26), durante uma recepção em homenagem a ele, na universidade particular em Londrina, no norte do Paraná, onde trabalha. Ele mora na cidade com a família.

Para o futuro ministro, a discussão de gênero é um pouco abstrata.

“Olha, eu não concordo por uma razão muito simples: quem define gênero é a natureza. É o indivíduo. Então a discussão da educação de gênero me parece um pouco abstrata, um pouco geral”, declarou.

Ele citou o exemplo do Canadá, onde esteve em julho visitando parentes. Disse que o país decretou a educação de gênero por meio de uma lei federal, mas as províncias autônomas começaram a discutir o tema localmente e algumas, onde o governo é conservador, derrubaram a lei.

“Então eu acredito que quando consultadas as pessoas onde moram, enxergando o indivíduo, a educação de gênero é um negócio que vem de cima para baixo, de uma forma vertical e não respeita muito as individualidades. A culminância da individualização qual é? A sexualidade. Então, se eu brigo com um indivíduo, vou brigar com a sexualidade e vou querer regulamentar a sociedade por decreto, o que não é bom. Eu acho que é um tiro fora do alvo”, afirmou.

Veja abaixo outros trechos da entrevista

“Escola sem partido”

Sobre o projeto de lei “Escola sem partido”, Rodríguez explicou por que discorda da doutrinação.

“Eu acho que a doutrinação não é boa para o aluno, nos primeiros anos, no ensino básico, fundamental, tem que ser educado fundamentalmente para integrar-se na sua comunidade, no seu país, que é um país suprapartidário. Não é um partido político que vai fazer com que o menino, o jovem tenha consciência cidadã”, disse.

O futuro ministro contou que assistiu a uma sessão da Câmara Federal, quando foi conversar com Bolsonaro, na qual se discutia o projeto de lei, e pontuou que a discussão está sendo muito aberta.

“Acho que está acontecendo uma discussão muito aberta e vai haver uma moderação na regulamentação disso. Não acredito que haja violação dos direitos das pessoas para se exprimirem”, declarou.

Enem

Sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Rodíguez afirmou que a prova precisa ser preparada com isenção, para que não seja veículo de disseminação de determinadas posições ideológicas ou doutrinárias.

“Tem que ser uma prova que avalie realmente os conhecimentos, e que não obrigue o aluno a assumir determinada posição com medo de levar ‘pau’. Tem muito aluno que me falou: Professor, eu tento responder certo, não quero levar ‘pau’ por isso, porque tento responder o que eu espero que os questionadores, eu respondo”, detalhou.

Perguntado se a prova poderia passar pelo crivo do presidente, ele respondeu que, se Bolsonaro quiser, ninguém vai impedir.

“Se o presidente se interessar, né? Ninguém vai impedir. Ótimo que o presidente se interesse pela qualidade das nossas provas”, disse.

Universidade pública

Na opinião do futuro ministro, as universidades precisam melhorar a gestão, com cobrança de eficiência e resultado pessoal.

“Eu acho que a universidade pública tem que permanecer pública. Mas com uma gestão eficiente, uma gestão em que o cidadão veja que o que está pagando tem resultado. E nossa estrutura de universidade pública sai quatro, cinco vezes mais cara que de uma universidade particular. Precisamos justificar isso perante o eleitorado que é quem financia”, pontuou.

Prioridades no Ministério da Educação

De acordo com Rodríguez, a prioridade na sua gestão frente ao Ministério da Educação será pensar nas pessoas.

“Para mim o valor fundamental é servir as pessoas. Então, vou tentar dar importância às pessoas, ao aluno em sala, aos professores que se sentem oprimidos pela violência que há em sala, isso precisa ser equacionado”, afirmou

Rodríguez considera que há muito a se fazer pela educação, melhorando principalmente as condições do ensino nas escolas municipais.

“É aí onde se forma a consciência cidadã, a educação para cidadania, e onde se pode começar a resgatar a qualidade do nosso ensino. Acho que temos a necessidade de voltar os olhos para o cidadão, para o aluno, para a pessoa, para as pessoas individuais, com suas diferenças, suas preocupações”, disse.

O futuro ministro da Educação acredita que as universidades ficaram reféns de uma doutrinação de “cunho marxista”, e que é preciso “abrir a mente e o espírito para que haja compreensão de outras formas de ensino e educação”.

Colégios militares

Perguntado sobre a experiência em colégios militares, Rodríguez afirmou que valoriza muita a disciplina e a eficiência que eles têm.

“Os colégios militares, hoje, representam para o Brasil, o que há de melhor em termos de qualidade, exigência, de disciplina. É interessante visitar um colégio militar, a gente fica surpreendido como professor”, declarou.

Ele pontou que acredita que Bolsonaro tem uma grande ideia ao colocar os colégios militares como exemplo para a sociedade civil.

“Não para que virem colégio militar, não. Mas para que olhem que é possível ter eficiência, disciplina, sem sacrificar a alegria de viver. Eu sempre valorizei a Escola de Estado Maior do Exército e o Centro de Estudos do Exército, porque em qualquer disciplina a gente é avaliado no final. E lhe apresenta a possibilidade de ver os seus erros e de corrigi-los. O que eu acho maravilhoso, a gente só tem a crescer com essa modalidade de ensino disciplinar”, pontuou.

Ensino médio

O futuro ministro também defendeu que os estudantes saiam do ensino médio prontos para o mercado de trabalho.

“Nem todo mundo é chamado à universidade. É bobagem pensar que a democratização da universidade é universal (…) Nem todo mundo gosta de universidade. Eu acho que o segundo grau teria como finalidade mostrar ao aluno que ele pode pôr em prática esses conhecimentos e ganhar grana com isso, como os youtubers estão ganhando grana sem frequentar universidade”, argumentou.

O futuro ministro da Educação

Rodríguez foi anunciado como ministro da Educação pelo presidente eleito na última quinta-feira (22). Nascido na Colômbia e naturalizado brasileiro em 1997, o futuro ministro é autor de mais de 30 obras e, atualmente, é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército.

Rodríguez é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro De Pesquisas Políticas Raymond Aron.

Em carta divulgada na sexta-feira (23), Rodríguez afirma que sua gestão à frente da pasta buscará preservar “valores caros à sociedade brasileira” que, segundo ele, é “conservadora”.

Crítico dos últimos governos do país, Rodríguez disse que é contra “discriminação de qualquer tipo” e afirmou que, nos últimos anos, a “instrumentalização ideológica da educação” polarizou o debate sobre o tema.

A “ideologização” da educação já havia sido criticada por Rodríguez em um texto publicado no início de novembro.

Na ocasião, escreveu que o órgão responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entende as provas “mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino”.

Veja mais notícias da região no G1 Norte e Noroeste.

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