EUA dizem estar prontos a atacar de novo se Síria voltar a usar armas químicas

NOVA YORK E MOSCOU – Os Estados Unidos estão “totalmente prontos” a atacar novamente a Síria se o governo de Bashar al-Assad usar armas químicas novamente, disse Nikki Haley, embaixadora do país na ONU, durante a reunião do Conselho de Segurança neste sábado. A reunião foi convocada pela Rússia que pediu uma condenação ao ataque de forças americanas, britânicas e francesas que lançaram mais de 100 mísseis em resposta à suspeita do uso de armas químicas contra civis na cidade de Douma pelo governo de Bashar al-Assad.

— Acreditamos que conseguimos paralisar o programa de armas químicas da Síria. Estamos prontos para manter esta pressão. Se o governo sírio usar gás venenoso novamente, os Estados Unidos estão totalmente prontos — disse Haley.

O enviado russo deixou claro o descontentamento com os EUA, falou em “hooliganismo na área internacional” e sugeriu uma resolução do Conselho exigindo que cessem quaisquer ataques à Síria.

Neste sábado, a Rússia moderou o tom, com o presidente Vladimir Putin dizendo que o ataque tornara ainda pior uma situação já catastrófica na Síria. Moscou está em contato com os Estados Unidos e demais países que participaram dos ataques, informou neste sábado o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, segundo a agência de notícias RIA. Ryabkov também disse em uma entrevista ao jornal “Kommersant” no sábado que Moscou estava interessada em cooperar com Washington sobre a Síria.

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Opaq vai prosseguir com investigação em Douma

A batalha no Twitter sobre o conflito sírio

A ação de EUA, Reino Unido e França recebeu apoio, em geral de países ocidentais, como a Alemanha, mas foi visto com cautela por outros, como a China. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, que antes era contrária a uma ação contra a Síria voltou atrás e apoiou, neste sábado, os ataques aéreos dos Estados Unidos, França e Inglaterra como uma ação “necessária e apropriada” para alertar Damasco contra o uso de armas químicas.

— Apoiamos o fato de que nossos aliados americanos, britânicos e franceses tomaram responsabilidade desta forma como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — disse Merkel, que havia descartado a participação da Alemanha em qualquer ação militar contra a Síria antes dos ataques.

Já o Ministério das Relações Exteriores da China se ôpos ao uso da força nas relações internacionais. O porta-voz do ministério, Hua Chunying, disse que qualquer ação militar que contorne o Conselho de Segurança da ONU viola os princípios e normas básicas do direito internacional. O país acredita que um acordo político é a única maneira de resolver a questão síria e pediu uma investigação completa, justa e objetiva sobre os supostos ataques com armas químicas na Síria.

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As forças militares envolvidas

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O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também havia descartado a participação do país numa ação militar na Síria, mas deu seu “apoio inequívoco” aos ataques aéreos das forças americanas, britânicas e francesas. Trudeau acrescentou que o Canadá vai continuar a investigar o uso de armas químicas na Síria e que os responsáveis pelos ataques recentes “devem ser levados à justiça”.

— O Canadá apoia a decisão dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França de tomar medidas para degradar a capacidade do regime de Assad de lançar ataques com armas químicas contra seu próprio povo — disse.

A Otan manifestou apoio aos bombardeios logo após o anúncio da operação. Num comunicado, o secretário-geral, Jens Stoltenberg, disse que a ação “vai reduzir a capacidade do regime de voltar a atacar o povo da Síria com armas químicas”.

O porta-voz do governo turco, Mahir Unal, disse, numa entrevista transmitida pela CNN Turquia, que o país foi informada antes dos ataques contra a Síria. Mais cedo, uma fonte do Ministério das Relações Exteriores turco descreveu os ataques aéreos como uma resposta “apropriada” contra o governo turco.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou os ataques químicos como “absurdos” e “horríveis”, mas pediu cautela na retaliação expressando a preocupação de que qualquer escalada da violência no país aumentaria o sofrimento de quem vive na Síria.

“Peço aos Estados-membros que demonstrem moderação nessas circunstâncias perigosas e evitem quaisquer atos que possam agravar a situação e agravar o sofrimento do povo sírio”, disse num comunicado.

Para o Iraque, os bombardeios contra alvos militares sírios podem dar ao terrorismo uma oportunidade de se expandir na região. Segundo o jornal “The Guardian”, o ministro das Relações Exteriores classificou o ataque como um “desenvolvimento muito perigoso”.

— Tal ação pode ter consequências perigosas, ameaçando a segurança e a estabilidade da região e dando ao terrorismo outra oportunidade de expansão depois que ele foi expulso do Iraque e forçado a entrar na Síria para recuar em grande medida — disse.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chamou os ataques à Síria de “crime militar”. Segundo a agência de notícias IRNA, Khamenei falou numa reunião com autoridades iranianas e embaixadores de países islâmicos.

“O ataque contra a Síria nesta manhã é um crilme. O presidente americano, o presidente francês e a primeira-ministra britânica são criminosos, não vão ganhar nada com isso”, disse pelo Telegram.

Ex-presidente da Coreia do Sul é condenada a 24 anos de prisão

ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun-hye, 66, foi condenada nesta sexta (6) a 24 anos de prisão por abuso de poder e corrupção, em escândalo que provocou o seu impeachment em março de 2017.

Ela foi deposta sob a acusação de subornar conglomerados como Samsung, Hyundai e LG, a doarem a fundações de sua melhor amiga, Choi Soon-sil, em troca de favores.

Park Geun-hye foi a primeira presidente a ser deposta em um impeachment desde a divisão da Península Coreana, em 1948. O único a passar por processo similar foi Roh Moo-hyun, absolvido pela Justiça em 2004.

O tribunal também multou Park, que é filha de um ex-ditador militar, em cerca 18 bilhões de wons (cerca de 16,9 milhões de dólares).

Park Geun-hye chega a julgamento em agosto de 2017; ela não estave presente na corte no dia de sua condenação.

A ex-presidente, que está presa desde o dia 31 de março de 2017, nega todos os crimes e não estava presente no tribunal nesta sexta.

Apoiadores da Park Geun-hye realizaram um protesto em frente à corte em Seul. Com informações da Folhapress.

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ONU estima 5 bilhões vivendo em risco de escassez hídrica até 2050

A demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de 1% por ano, em razão do crescimento da população e de mudanças nos padrões de consumo. Por outro lado, cenários de secas e cheias têm ficado cada vez mais extremos e estima-se que o número de pessoas que vivem em áreas com potencial de apresentar escassez hídrica ao menos uma vez por ano pode saltar dos atuais 3,6 bilhões para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050.

É o que alerta o relatório mundial que a Organização das Nações Unidas lança nesta segunda-feira, 19, sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, no Fórum Mundial da Água, que é realizado em Brasília. A recomendação da ONU é que, diante desse quadro, é preciso buscar saídas para a gestão da água nas chamadas “soluções baseadas na natureza” (SbN).

“Nós precisamos de novas soluções para a gestão dos recursos hídricos, para enfrentarmos os desafios emergentes relativos à segurança hídrica originados pelo crescimento demográfico e pela mudança climática. Até 2050, se não fizermos nada, cerca de cinco bilhões de pessoas viverão em áreas com baixo acesso à água”, disse em comunicado à imprensa Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, organização que coordenou o relatório.

“É um desafio importante que devemos enfrentar todos juntos com uma abordagem virtuosa para prevenir conflitos relacionados à água”, complementou.

O quadro geral do planeta vem piorando. De acordo com o relatório, no começo dos anos 2010, 1,9 bilhão de pessoas (27% da população mundial) viviam em áreas com potencial de serem gravemente afetadas pela escassez hídrica. Hoje já se estima que é quase o dobro o total que vive em áreas potencialmente escassas em água pelo menos durante um mês por ano.

O documento aponta que as captações de água para irrigação são a principal causa da redução dos níveis das águas subterrâneas em todo o mundo. E que até 2050 as captações podem crescer 39% em relação aos níveis atuais. Mas hoje, ⅓ dos maiores sistemas mundiais de águas subterrâneas já está em situação de perigo, lembra a ONU.

A organização também lembra que secas e inundações causam perdas econômicas anuais em todo o mundo na faixa de US$ 40 bilhões. Valor que pode subir para US$ 200 bilhões a US$ 400 bilhões, segundo algumas estimativas citadas no documento.

Infraestrutura verde

Em vez de tentar resolver os problemas somente com infraestrutura cinza, como grandes obras de saneamento e captação de água ou construção de diques, a proposta é se inspirar e se apoiar na natureza para melhor a qualidade da água, do abastecimento e também proteger contra desastres naturais. Isso passa por conservar ou recuperar os ecossistemas naturais ou criar modelos que simulam os processos naturais.

“Abordagens tradicionais não permitem que a segurança hídrica sustentável seja alcançada. As SbN trabalham com a natureza, não contra ela e por isso oferecem meios essenciais para ir além das abordagens tradicionais para aumentar os ganhos em eficiência social, econômica e hidrológica, no que diz respeito à gestão da água”, aponta o relatório.

“As SbN são especialmente promissoras na obtenção de progressos em direção à produção alimentar sustentável, à melhora dos assentamentos humanos, ao acesso ao fornecimento de água potável e aos serviços de saneamento, e à redução de riscos de desastres relacionados à água. Elas também podem ajudar na resposta aos impactos causados pela mudança climática sobre os recursos hídricos”, continua o documento.

Não é algo novo – projetos de recuperação de nascentes com mata nativa, por exemplo, trabalham exatamente com esse conceito de que uma vegetação preservada melhora a produção de água. Vai nessa mesma linha preservar um mangue para evitar danos causados pelo aumento do nível do mar. Ele é um amortecedor para ressacas melhor que muito dique.

Mas são iniciativas ainda muito incipientes. De acordo com o relatório, apesar de terem crescido os investimentos em SbN no mundo, eles ainda correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos.

O trabalho sugere, porém, que uma expansão desses projetos pode beneficiar bilhões. Um estudo citado indica que atividades de conservação e/ou restauração da terra (como a proteção de florestas, o reflorestamento e o uso de culturas de cobertura na agricultura) podem levar a uma redução de pelo menos 10% nos sedimentos em bacias hidrográficas que atualmente abrangem 37% da superfície terrestre que não está coberta por gelo.

Segundo o trabalho, mais de 1,7 bilhão de pessoas – mais da metade da população urbana mundial – poderiam se beneficiar dessa melhora na qualidade da água se aquele tipo de solução fosse aplicada a à bacia hidrográfica de onde vivem.

Um outro trabalho sobre um estudo de caso específico revelou que um investimento de US$ 10 milhões em recomposição de matas ciliares, reflorestamento e implementação de melhores práticas agrícolas, poderia gerar um retorno estimado de US$ 21,5 milhões em benefícios econômicos durante um período de 30 anos.

Saúde: Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo alerta para importância de exercícios

Para alertar pessoas, organizações e governos sobre esse problema, hoje (10) é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo. A data foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para colocar em pauta a importância de práticas saudáveis, como atividades físicas e alimentação adequada.

O sedentarismo está associado a doenças crônicas como o infarto, a hipertensão e a diabetes. Ele tem como resultado direto o aumento do sobrepeso e da obesidade, hoje problemas crescentes no país.

Segundo o último levantamento, por telefone, do Ministério da Saúde, o Vigitel, realizado em 2016, a obesidade era uma condição para 18,9% da população, quase 10 pontos percentuais acima do índice registrado dez anos antes (11%). O sobrepeso atingia 53,8% dos entrevistados. No mesmo período, de 2006 a 2016, o diagnóstico de diabetes passou de 5,5% para 8,9% e o de hipertensão foi de 22,5% para 25,7%.

Alto índice

O levantamento do Ministério da Saúde também revelou que 62% dos entrevistados não praticavam esportes. Apenas 37,6% das pessoas estavam envolvidas com alguma modalidade. Entre esses, a ocorrência era maior em homens (46,6%) do que em mulheres (29,9%). O sedentarismo também aparecia mais entre os mais jovens: em moças e rapazes de 18 a 24 anos o índice subia para 52,2%, enquanto entre aqueles com 65 anos ou mais ele caía para 22,3%.

Quando consideradas outras formas de atividade física (como durante o deslocamento para o trabalho ou a outros locais), o índice de pessoas realizando essas práticas subia, chegando a 55%. Ainda nesse caso, a diferença de idade seguia sendo um fator determinante, com a taxa ficando em 65,7% na faixa de 18 a 24 anos e em 28,8% na de pessoas com mais 65 anos ou mais.

Outro levantamento, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em maio de 2017, tomando como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015, chegou a índices semelhantes. O estudo também investigou os motivos da recusa em praticar esportes. Entre os mais jovens entrevistados a maioria alegou falta de interesse, enquanto entre os mais velhos a justificativa mais comum foi o pouco tempo disponível.

Cultura e educação

O presidente do Conselho Federal de Educação Física (Confef), Jorge Steinhilber, acredita que apesar do Brasil propiciar condições para a prática de esportes durante todo o ano (não tendo impedimento por conta de neve, por exemplo), não há uma cultura entre a população de envolvimento com atividades físicas.

Uma das razões para isso, de acordo com ele, é o fato de não haver uma valorização da educação física no período escolar. “Sem isso, você deixa de alfabetizar a criança em termos de movimento, de cultura de atividade física e de levar a ela a importância do significado da atividade física para o futuro. Acaba sendo um círculo vicioso nosso. Se desde a criança eu não levo isso, vai ter muito mais dificuldade no futuro da pessoa entender a prática da atividade física”, disse.

O presidente do Confef destaca como uma das iniciativas para qualificar a educação física na rede de ensino a aprovação do Projeto de Lei 3047/2015, que obriga a presença de professores formados em educação física nessa disciplina. A matéria foi aprovada pelo Senado e ainda tramita em comissões na Câmara dos Deputados.

Benefícios

De acordo com a médica e integrante do conselho federal da categoria (CFM) Rosylane Rocha, a prática de atividade física traz diversos benefícios à saúde; favorece a normalização dos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicemia; previne doenças cardiovasculares e mitiga a evolução da osteoporose. Além disso, também libera endorfinas e faz com que o indivíduo se sinta com mais energia para as atividades diárias e de trabalho, bem como melhora a qualidade do sono e o próprio humor.

Mas para quem está sedentário e quer começar a praticar alguma atividade física, a conselheira orienta a procurar assistência especializada. “Quem quer começar deve procurar um médico para ver o padrão cardiorespiratório e depois um profissional de educação física que possa orientar as atividades de acordo com as condições físicas, se tem questão cardíaca, problema de articulação ou alguma limitação”, recomenda.

A médica lembra também que um cuidado fundamental é realizar a atividade com regularidade. “Há quem queira fazer atividade muito desgastante sem regularidade. Isso pode causar lesão em vez de trazer benefício”, alerta.

Coreia do Norte aceita suspender testes nucleares para negociar com os EUA, diz Seul

SEUL – Um oficial sul-coreano disse que o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, concordou nesta terça-feira, 6, em organizar uma reunião de cúpula no fim de abril com o líder da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e impor uma proibição temporária de testes nucleares e de mísseis para dialogar com os EUA.

A reunião será realizada em Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul, afirmou o emissário Chung Eui-yong, assessor para segurança do presidente sul-coreano, Moon Jae-in. O encontro será precedido por uma conversa telefônica entre Kim e Moon, explicou. Até o momento, Pyongyang não se pronunciou sobre as informações divulgadas por Seul.

De acordo com Chung, a Coreia do Norte deixou claro que não precisaria manter armas nucleares se as ameaças militares contra o país cessassem e recebesse uma garantia crível de segurança.

Kim Jong-un ofereceu na segunda-feira um jantar aos enviados da Coreia do Sul – incluindo Chung e o restante dos delegados escolhidos por Moon, entre eles o diretor do Serviço Nacional de Inteligência (NIS), Suh Hoon -, ao lado de sua mulher, Ri Sol-ju, e de sua irmã, Kim Yo-jong, em um encontro que durou mais de quatro horas.

O encontro na sede do Partido dos Trabalhadores, a primeira vez em que os representantes do governo sul-coreano visitaram o local, foi avaliado pelos dois países como “satisfatório” e representa mais um passo na aproximação entre as duas Coreias.

Kim recebeu a comitiva de Seul, liderada por Chung, poucas horas depois da sua chegada a Pyongyang. Segundo a agência estatal de notícias KCNA, o jantar foi realizado em um ambiente “cordial” e “fraternal”. / AP e AFP

Oscar 2018: ‘A Forma da Água’ fica com melhor filme e melhor diretor

Ao contrário do tapete vermelho do Globo de Ouro, marcado pelo preto dos protestos dos movimentos #MeToo e Time’s Up, o da 90.ª festa do Oscar pautou-se pelo colorido. Sempre irreverente, o apresentador Jimmy Kimmel abriu o show dizendo por que o Oscar – a estatueta – é o homem mais respeitado de Hollywood. Dá para ver onde estão suas mãos – e ele não tem pênis! O humor em tempos de assédio na indústria.

Essa abertura, digamos, provocadora não teve muita continuidade. Como a Academia queria, os discursos políticos não deram o tom desse Oscar. Em comparação com o Globo de Ouro, foi bem morno, pelo menos até que Salma Hayek, integrando um grupo de mulheres, destacou a importância do que está ocorrendo na indústria.

Num clipe, Geena Davis lembrou Thelma e Louise. “Todo mundo pensava que o filme ia abrir um novo espaço para as mulheres em 1991. Isso está ocorrendo hoje”. E veio a celebração da cultura latina no palco do Dolby Theatre, com as vitórias do Chile, de Guillermo del Toro e de Viva – A Vida é Uma Festa.

Prosseguiu com o Oscar de roteiro original para Jordan Peele, por Corra!, o primeiro negro a concorrer em filme, direção e script. Outro Oscar, de roteiro adaptado, para Me Chame Pelo Seu Nome, e James Ivory ressaltou a importância da diversidade sexual. Lembrou até seu companheiro, o falecido produtor Ismail Merchant. Talvez tenham sido esses momentos que fizeram a diferença nesse Oscar.

Os prêmios de coadjuvantes para Sam Rockwell (Três Anúncios para um Crime) e Allison Janney (Eu, Tonya) eram mais que esperados. Rockwell retratou-se nos bastidores. “Não podia ter me esquecido de agradecer a Philip Seymour Hoffman (que morreu em 2014). Ele foi inspirador para mim e todos da minha idade. Sua forma de interpretar e de dirigir mostravam que era um homem que acreditava e amava o cinema.”

Melhor ator – Gary Oldman

Gary Oldman  e Frances McDormand, também favoritos, venceram como melhor ator e atriz por O Destino de uma Nação e Três Anúncios Para Um Crime. Guillermo del Toro, outra barbada, foi melhor diretor por A Forma da Água. Warren Beatty e Faye Dunaway voltaram ao palco para apresentar melhor filme. Surpresa – foi A Forma da Água, que ganhou também melhor trilha e direção de arte. Kimmel saudou Gal Gadot, a Wonder Woman, e muita gente considera que o sucesso do filme, e da personagem, foi decisivo para a resistência das mulheres no ano passado.

Melhor atriz – Frances McDormand

Gal marcou presença mais pela beleza que pela veemência. Atribuiu o Oscar de maquiagem – para O Destino de uma Nação . Uma lenda – Eva Marie Saint, atriz de Elia Kazan e Alfred Hitchcock – apresentou o Oscar de figurino, que só poderia ir para Trama Fantasma. E Kimmel continuou disparando sua metralhadora giratória de humor.

A cada meia hora, Pantera Negra soma um milhão à sua renda – o que o qualifica para não concorrer a nada em 2019. Duas mulheres maravilhosas, Laura Dern e Greta Gerwig, atribuíram o Oscar de documentário, que não foi para Agnès Varda, Visages Villages, mas para Icarus, da Netflix, sobre um ciclista amador envolvido num escândalo de doping.

Uma hora de cerimônia – começou pontualmente às 22h do Brasil – e a Academia se auto-homenageia. Arte, indústria, reconhecimento. Um clipe faz a síntese desses 90 gloriosos anos para falar de esperança. Já que o tema é sonho, o Oscar de efeitos visuais cai bem para o novo Blade Runner. Dunkirk vence os prêmios técnicos – melhor edição e mixagem de som, melhor montagem.

Oscar 2018: os principais vencedores da noite

A porto-riquenha Rita Moreno lembra Frank Capra, que dizia que existem três linguagens universais – música, matemática e cinema. E o Oscar de melhor filme estrangeiro vai para… Uma Mulher Fantástica. “Estou em Júpiter”, disse o diretor Sebastián Lelio, na sala de imprensa. “Muito feliz pelo que o filme representa. Está conseguindo contribuir para uma conversa necessária e urgente.”

O Chile entra no panteão do Oscar, e com um filme centrado numa personagem transgressora pelo simples fato de existir – a transexual interpretada por Daniela Vega, que apresentaria depois a canção de Me Chame Pelo Seu Nome. “Não existem pessoas ilegítimas”, brada Lelio. Parte do elenco do maior sucesso do ano – Star Wars O Último Jedi – vem entregar o prêmio de curta de animação.

Mark Hamill lembra o imbróglio do ano passado – “Não vamos trocar o envelope de La La Land?”. O prêmio de longa de animação para Viva – A Vida É Uma Festa produz um simpático discurso em defesa dos imigrantes. Que viva México! Até Gael García Bernal cantou – o tema de Viva, claro.

COLABOROU UBIRATAN BRASIL, ENVIADO ESPECIAL A LOS ANGELES

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