Catedral de Notre-Dame, em Paris, é atingida por incêndio

Um incêndio de grandes proporções atingiu a catedral de Notre-Dame, em Paris, por volta das 13h50 de hoje no horário de Brasília (18h50 na França). Os bombeiros ainda trabalham para conter o fogo. Não há informações sobre feridos.

Segundo o jornal francês Le Figaro, uma estrutura da catedral de formato semelhante a uma flecha, que estava em obras, desabou devido ao incêndio.

Essa torre havia sido construída em 1860, quando substituiu a primeira, em 1792, que ameaçava cair. Com 93 metros, ela era formada por 500 toneladas de madeira e 250 toneladas de chumbo.

O fogo se iniciou na parte superior da construção, mas já tomou também a fachada.

Por que a Catedral pegou fogo?

Ainda não se sabe o que causou o incêndio, mas os bombeiros acreditam que a reforma que acontece na catedral pode ser a razão.

As autoridades tratam o episódio como “acidente” e descartam, até o momento, a possibilidade de atentado terrorista.

O arquiteto Philippe Villeneuve, que coordena as obras de reforma da catedral, disse ao jornal Le Parisien que está em choque. “Estou chorando. Não consigo imaginar um desastre como este”, afirmou.

O arquiteto disse que quando o incêndio teve início não havia mais operários trabalhando.

Monumento mais visitado da Europa

Reprodução/Twitter

As labaredas e a fumaça escura podem ser vistas ao longe na capital parisiense — a catedral está localizada no centro de Paris.

Monumento mais visitado da Europa, Notre-Dame recebe cerca de 20 milhões de visitantes por ano — quase três vezes o número de turistas que o Brasil recebe anualmente.

A polícia isolou a área e retirou os muitos turistas que estavam dentro da catedral.

Nas redes sociais, a polícia de Paris pediu que os cidadãos evitem a área e facilitem a passagem de veículos de emergência.

Obra começou há 855 anos

Notre-Dame (Nossa Senhora, em português) é uma catedral católica medieval e é considerada um dos mais belos exemplos da arquitetura gótica francesa. Ela começou a ser construída em 1164 e suas obras foram encerradas em 1345.

A catedral foi palco de grandes e importantes cerimônias, como a coroação em 1431 do rei Henrique 6 de França durante a Guerra dos Cem Anos, a coroação em 1804 de Napoleão Bonaparte como imperador do país e a beatificação de Joana D’Aarc em 1909.

No Twitter, o presidente Emmanuel Macron lamentou o ocorrido. “Notre-Dame de Paris em chamas. Emoção de uma nação inteira. Meus pensamentos estão com todos os católicos e todos os franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite em ver esta parte de nós queimar”, disse.

Prefeito foge da Venezuela pela mata e denuncia dezenas de mortes

Oprefeito de Gran Sabana, cidade venezuelana a 15 quilômetros da fronteira com Brasil, Emilio González, denunciou 25 mortes em confrontos entre militares e milícias pró-governo do presidente Nicolás Maduro. González fugiu com sua comitiva para o Brasil, depois que civis de sua cidade foram atacados por militares.

Até então, estavam confirmadas as mortes de dois indígenas na sexta-feira (22), pela Guarda Nacional Bolivariana, a 70 quilômetros da fronteira com o Brasil, e de outras quatro pessoas no sábado (23), por milícias chavistas, em Santa Elena.

Segundo “O Globo”, com relatos de um enfermeiro venezuelano, até agora quatro mortos e 45 feridos a bala chegaram ao hospital de Santa Elena. A ONG Venezuela de Direitos Humanos Provea confirmou as quatro mortes em Santa Elena.

O prefeito relatou ainda que três mil militares e milicianos desembarcaram no sábado à tarde em Santa Elena, em oito comboios. Ele acredita que os números de mortos e feridos devem subir à medida em que a prefeitura consiga recolher os corpos, que, na maioria, estão localizados em regiões afastadas. Ao todo, 85 pessoas teriam ficado feridas.

Outro enfermeiro, Rack Ramsame, que trabalha no hospital Santa Elena, contou ao site que a unidade de saúde não tem medicamentos e conta apenas com uma ambulância. “Hoje eu fiz três viagens (para o Brasil) com feridos a bala.

Oito pessoas, entre assessores e um grupo de escolta, caminharam por seis horas por trilhas abertas na selva para chegar ao Brasil. De acordo com o prefeito, a Guarda Nacional disparou contra a população civil, que protestava desarmada.

Uma mulher venezuelana disse ao “G1” que viu “muitas pessoas feridas e ouvíamos muitos barulhos de tiro”. Segundo ela, a cidade amanheceu deserta e destruída no domingo (24).

Notícias ao Minuto Brasil

Maduro anuncia fechamento da fronteira com o Brasil a partir das 20h

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira (21) o fechamento da fronteira com o Brasil e a realização de um “grande show” de música na área que faz divisa com a Colômbia. Ele avalia também o fechamento da fronteira colombiana, na qual está a cidade Cúcuta, que centraliza os repasses de doações para os venezuelanos.

“A partir das 20h de hoje (19h, no horário de Caracas) a fronteira terrestre com o Brasil será fechada”, anunciou Maduro durante reunião com o Estado Maior das FANB(Forças Armadas Nacionais Bolivarianas) por videoconferência do Comando Estratégico Operacional de Caracas.

“Decidi que [o espaço] está totalmente fechado, até novo aviso sobre a fronteira terrestre com o Brasil, melhor prevenir do que remediar”, acrescentou Maduro. “Quero que seja uma fronteira dinâmica e aberta com a Colômbia, mas sem provocações.”

Incêndio mata pelo menos 70 pessoas em Bangladesh

Fogo foi controlado após dez horas de esforços exaustivos dos bombeiros

Um incêndio devastador consumiu vários edifícios numa área antiga da capital do Bangladesh matando ao menos 70 pessoas e deixando 55 feridas. O fogo foi controlado após dez horas de esforços exaustivos dos bombeiros.

As chamas tiveram início na noite desta quarta-feira (20), em um dos prédios, mas rapidamente se espalhou para os demais, explicou o responsável do departamento de bombeiros local, Ali Ahmed.

Outro responsável pelos bombeiros e a proteção civil deu conta de que várias vítimas ficaram presas dentro dos edifícios.

O vídeo acima mostra a força das chamas. Assista.

Museu no Grand Canyon ‘esquece’ baldes com urânio em exposição

Carolina Vilela e Cristina Charão, do R7*

Três baldes contendo minério de urânio foram “esquecidos” pelo museu do parque nacional do Grand Canyon, no Arizona (EUA) expondo funcionários, turistas e crianças à radiação por quase duas décadas. As informações são do jornal USA Today.

Os baldes de urânio foram descobertos em março de 2018 pelo filho de um dos funcionários. O menino é um entusiasta do uso do contador Geiger e percebeu, por acaso, que os baldes emitiam radiação em níveis acima do esperado.

No último dia 4 de fevereiro, o gerente de Segurança, Saúde e Bem-estar do parque, Elston Stephenson, denunciou a tentativa da administração de encobrir o fato.

Segundo ele, apesar dos alertas de autoridades federais sobre os riscos do componente químico, nada foi feito para alertar as pessoas.

Stephenson informou que os baldes ficaram por décadas no porão da sede do parque, mas foram movidos para o prédio do museu quando da sua inauguração, no ano 2000.

Ao serem descobertos pelos funcionários, foram retirados do prédio.

Baldes cheios de urânio

De acordo com as informações do USA Today, um dos baldes estava tão cheio que a tampa não fechava.

Emily Davis, porta-voz do parque, não quis comentar os detalhes e um porta-voz da OSHA, agência do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, confirmou que uma investigação está em andamento, mas se recusou a fornecer qualquer outra informação.

Ela garantiu que as pedras foram retiradas do prédio do museu e que ele está funcionando normalmente sem apresentar mais riscos aos funcionários ou visitantes.

O museu é um prédio pequeno, que serve para guardar artefatos de interesse científico e recebe entre 800 e mil visitantes por ano, inclusive crianças e jovens em idade escolar.

Um relatório do Serviço Regional de Parques obtido por Stephenson confirmou que a área teve leituras acima do normal e níveis altos de radioatividade perto da área de taxidermia, onde os baldes foram esquecidos.

O relatório indica que teriam sido registrados níveis 400 vezes superiores ao que é considerado o nível natural de radiação pela Comissão Regulatória de Energia Nuclear dos EUA.

Guerra nuclear: As novas armas que aumentam as chances de um conflito global

A ameaça de uma guerra nuclear gera grande temor ao redor do mundo. E, para piorar, os riscos de um conflito aumentam com as linhas cada vez mais tênues entre armas nucleares e convencionais.

O bombardeiro B-29, por exemplo, foi projetado e construído para atirar bombas convencionais, mas, em 6 de agosto de 1945, uma aeronave americana desse modelo – Enola Gay – lançou uma bomba nuclear na cidade japonesa de Hiroshima. Cerca de 135 mil pessoas morreram em decorrência desse ataque.

Hoje, 74 anos depois, nove países possuem milhares de armas nucleares, que estão se tornando cada vez mais parecidas com o arsenal não nuclear.

Mesmo que o estoque global de armas nucleares esteja em seu menor nível – o ápice foi em 1986 com 64 mil unidades -, alguns dos armamentos contemporâneos são cerca de 300 vezes mais poderosos que a bomba jogada em Hiroshima.

BBC

Exceto pelo Reino Unido, todos os países com armas nucleares têm equipamentos que podem ser usados para lançar ogivas nucleares ou convencionais. Esses equipamentos incluem mísseis de alcance cada vez maior.

A Rússia, por exemplo, recentemente apresentou um novo lança-mísseis de longo alcance, o 9M729.

Os EUA avaliam que esse míssil seja de uso duplo (nuclear e não nuclear) e tenha ultrapassado distâncias de 500 km nos testes.

O míssil fez com que os americanos acusassem os russos de violarem um tratado que bane o uso de mísseis de alcance médio e intermediário. Os EUA decidiram deixar o pacto, gerando novas preocupações acerca de uma corrida armamentista.

Enquanto isso, a China tem exibido seu míssil mais novo, o DF-26. Capaz de viajar mais de 2.500 km, ele parece ser o míssil de uso duplo com maior alcance do mundo.

 Míssil norte-coreano decolando

Míssil norte-coreano decolando

Getty Images

Há vários cenários em que esses mísseis poderiam aumentar exponencialmente a chance de uma guerra nuclear. O mais óbvio é que, em um conflito, eles sejam lançados com armas convencionais, mas confundidos com armas nucleares.

Essa ambiguidade pode levar o adversário a lançar uma resposta nuclear imediata. É difícil saber se o país atacado aguardaria a detonação da arma para avaliar o que ela continha.

Na prática, o maior perigo de mísseis de uso duplo é outro: a dificuldade de identificá-los antes mesmo que sejam lançados.

Num cenário hipotético, China pode espalhar seus mísseis DF-26 carregados com armamentos nucleares por todo seu território. Um eventual inimigo, caso pense erroneamente que os mísseis tenham armamentos convencionais, pode decidir destruí-los. Com o ataque, a China poderia ser provocada a lançar essas armas nucleares antes mesmo que sejam destruídas.

Sistemas de satélites

Mísseis de uso duplo não são a única maneira pela qual armas nucleares e não nucleares estão cada vez mais intrincadas. Todas as potências nucleares precisam de um sistema de comunicação, que pode incluir satélites e também pode ser usado para planejar operações não nucleares.

Os EUA, por exemplo, operam satélites capazes de alertar sobre ataques com mísseis balísticos com armas nucleares ou convencionais.

Rússia exibe seu míssil 9M729

Rússia exibe seu míssil 9M729

Getty Images

Em um conflito entre a Rússia e países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), esses satélites poderiam ser usados para detectar mísseis balísticos de curto alcance lançados pelos russos – e permitir que sejam abatidos no caminho.

Se a estratégia for bem sucedida, a Rússia pode decidir atacar os satélites americanos em resposta. Especialistas em defesa nos EUA têm, inclusive, alertado que os russos estão desenvolvendo armas de laser com esse objetivo.

Neutralizar satélites impediria o país de identificar tanto mísseis com armas convencionais quanto nucleares.

A última US Nuclear Posture Review – documento oficial sobre a política nuclear dos EUA – explicitamente ameaça usar armas nucleares contra qualquer Estado que ataque seus sistemas de controle e comando. A estratégia poderia ser adotada mesmo que o inimigo não tenha usado inicialmente armas nucleares.

Armas controladas

As potências nucleares estão conscientes da relação cada vez mais intrincada entre armas nucleares e convencionais e estão a par dos riscos envolvidos. Mas a mitigação dessas ameaças não parece ser uma prioridade. O foco continua sendo a ampliação da capacidade militar que visa dissuadir uns aos outros.

Uma opção no sentido oposto seria os países fazerem um acordo para banir armas que podem ameaçar satélites de comando e controle, mas as potências nucleares relutam em se sentar à mesma mesa.

Como resultado, a perspectiva de acordo permanece bem distante, e a tensão sobre um conflito global está longe de cessar.

* Esta análise foi encomendada pela BBC a um especialista que trabalha para uma organização externa. James Acton é codiretor do Nuclear Policy Programna Carnegie Endowment for International Peace. Este artigo se baseia no textoEscalation through Entanglement: How the Vulnerability of Command-and-Control Systems Raises the Risks of an Inadvertent Nuclear War.

Trump reitera que manterá governo fechado até muro ser aprovado

Notícias ao Minuto Brasil

Em aguardado pronunciamento à nação na noite desta terça (8), o presidente Donald Trump deixou claro que não moveu um centímetro sua posição de manter o governo federal paralisado enquanto os democratas não aprovarem medidas que contemplem dinheiro para financiar o muro que ele quer construir na fronteira com o México.

Em fala de cerca de oito minutos no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que o governo “permanece fechado por uma e única razão: os democratas não vão financiar a segurança na fronteira”.

“A situação poderia ser resolvida em um encontro de 45 minutos. Eu convidei lideranças do Congresso à Casa Branca amanhã [quarta] para resolver isso”, afirmou.

Os democratas responderam imediatamente após o pronunciamento. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, afirmou que o presidente não deveria manter a população americana “refém” e  que “deveria parar de fabricar uma crise e deveria reabrir o governo.”

Já o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, lembrou que há medidas bipartidárias aprovadas e que podem reabrir o governo, enquanto as negociações sobre a fronteira continuam. “Não há desculpa para ferir milhões de americanos por causa de diferença política”, disse. “Nós não governamos sob birra.”

Durante o pronunciamento, o presidente aproveitou para tentar responsabilizar os democratas pela paralisação parcial do governo, que entra em seu 19º dia. Ele acusou, por exemplo, os adversários de terem mudado de posição sobre o tema.

“[O líder da minoria democrata no Senado] Chuck Schumer repetidamente apoiou uma barreira física no passado, junto com outros democratas”, disse. Os democratas só mudaram de ideia depois que eu fui eleito.”

Segundo o republicano, o muro, agora, será de aço, em vez de concreto, “a pedido dos democratas”.

Trump também apelou para o sentimentalismo, afirmando que o país enfrenta uma crise “humanitária, do coração e da alma”. Ele citou dados para respaldar sua alegação de que há uma crise migratória no país que compromete a segurança da população americana, citando uma série de crimes cometidos, segundo ele, por estrangeiros.

O primeiro caso citado foi o do policial Ronil Singh, morto na Califórnia ao parar um carro em que estava um imigrante ilegal. “O coração dos Estados Unidos foi partido um dia depois do Natal, depois que um policial foi morto por um estrangeiro que não tinha direito de estar no nosso país.”

Trump citou outros casos semelhantes e questionou: “quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove [dinheiro para o muro]?”.

O presidente voltou a dizer que o muro vai se financiar, seja pela redução do custo de combate ao tráfico de drogas ou indiretamente pelo acordo comercial fechado com México e Canadá e que substituirá o Nafta.

Ao citar a questão das drogas, o republicano tentou relacionar a crise de opioides vivida pelos EUA à atuação de traficantes que seriam imigrantes ilegais. “Mais americanos morrerão pelas drogas neste ano nos EUA do que durante toda a Guerra do Vietnã”, afirmou.

A CNN ressalta, porém, que o presidente quis associar o total de mortes por overdose de drogas à provocada pelo entorpecente que entra ilegalmente pela fronteira, o que seria enganoso. Muitas delas, por exemplo, são causadas por remédios controlados e vendidos sob prescrição médica.

Já o The New York Times lembra que, embora a maior parte da heroína traficada para os EUA entre pela fronteira sul, opioides como o fentanil são enviados por pacotes diretamente da China e chegam por portos de entrada legais.

Havia dúvidas sobre o que o presidente falaria na noite desta terça. Alguns analistas esperavam que ele declarasse emergência nacional, possibilidade não concretizada no pronunciamento.

A paralisação mantém 800 mil funcionários de licença não remunerada ou trabalhando sem receber pagamentos. Parques nacionais estão fechados, pedidos de hipoteca para comprar a casa própria, atrasados e mesmo empresas com ações em Bolsa não conseguem aprovação para levantar capital.

Na última quinta (3), no primeiro dia do controle democrata da Câmara dos Deputados, os congressistas aprovaram duas medidas que buscavam reabrir o governo.

Foram aprovadas duas medidas separadas. Uma incluía dinheiro para financiar temporariamente o Departamento de Segurança Doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro, dando tempo para que democratas e republicanos continuem as negociações sobre o financiamento ao muro.

Outra proposta financiaria os departamentos de Agricultura, Interior e outros até 30 de setembro, quando termina o atual ano fiscal.

Mas, sem o dinheiro para o muro, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se recusou a colocar as propostas para votação.

Até agora, o governo americano já sofreu 21 paralisações desde que o Congresso introduziu a lei de controle que determina o processo orçamentário no país.

A paralisação parcial já é a segunda maior registrada pelo governo americano, superando a paralisação de 17 dias completos em setembro de 1978, da Presidência de Jimmy Carter.

Só está atrás do apagão de dezembro de 1995, do democrata Bill Clinton, iniciado após o presidente vetar a lei de gastos proposta pelo Congresso, dominado por republicanos. Depois de três semanas, os dois lados concordaram em passar um plano orçamentário de sete anos que incluía cortes moderados de gastos e aumentos de impostos. Com informações da Folhapress.

‘Paraguai é terra da impunidade’: a entrevista de Marcelo Piloto antes de matar mulher na cadeia

Ernesto Londoño

Em Assunção (Paraguai)

Antes de ser autorizado a entrar na cela de prisão de um famoso barão da droga no Paraguai, preparei-me para uma revista corporal intrusiva. Mas o guarda magro parado em frente às grades mal me tocou, passando rapidamente as mãos por meus braços e minhas costas.

Eu estava na prisão para entrevistar Marcelo Pinheiro Veiga, que havia recorrido a uma jogada audaciosa para não ser extraditado para seu país natal, o Brasil: confessou uma série de crimes que cometeu no Paraguai.

Depois da revista negligente, entrei na pequena cela e me sentei a cerca de 30 centímetros de Veiga, perto o suficiente para notar que seu hálito estava fresco.

“O Paraguai é a terra da impunidade”, disse-me Veiga depois de descrever a longa carreira criminosa que o fez tornar-se um dos maiores contrabandistas de armas e drogas do Paraguai para o Brasil.

Horas depois, era difícil não interpretar essas palavras como um banho de sangue antecipado.

Logo depois que saí da cela de Veiga, em 17 de novembro, Lidia Meza Burgos, 18, foi levada para dentro, segundo policiais paraguaios. Com a simples faca de mesa que ele usava para comer, Veiga a apunhalou 17 vezes no pescoço, no peito e nas costas, matando-a.

As autoridades paraguaias acreditam que o assassinato foi uma escalada macabra na aposta do traficante para continuar sob sua custódia e evitar as condições de detenção mais duras que enfrentaria no Brasil.

Como um ex-repórter criminal e correspondente de guerra, entrevistei muitos homens violentos. Mas esse episódio me abalou como nunca antes.

Desde aquele dia, passei muitas horas reescutando trechos de minha conversa com Veiga, em busca de um sinal do que estava por vir.

Pensei incessantemente em Meza, e a terrível decisão que ela deve ter enfrentado sobre se deveria entrar no território de um homem responsável por tantos crimes monstruosos.

Também me vi refletindo sobre a indústria de narcóticos, uma praga que projeta uma sombra sobre minha vida desde a infância.

Nasci em Bogotá, na Colômbia, em 1981, década em que Pablo Escobar e outros barões da droga começaram a escrever um capítulo destrutivo da história do país.

Quando criança, fiquei entusiasmado quando meus pais levaram a família ao zoológico construído por Escobar na Hacienda Nápoles, sua grande propriedade perto de Medellín, onde hipopótamos, girafas e elefantes ajudavam a atenuar a imagem de um homem que matou dezenas de pessoas e envenenou a política do país de maneiras que perduram até hoje.

Como adulto, eu temia apresentar meu passaporte nos aeroportos do exterior. Por muito tempo ele pareceu carregar um símbolo de cocaína que me submetia, e a muitos de meus compatriotas, a temíveis salas de inspeção, onde as pessoas são obrigadas a demonstrar que não representam os piores estereótipos de seus países.

Das muitas correntes no comércio de drogas, os principais traficantes sempre foram os mais enigmáticos para mim. Muitos, notadamente Escobar, foram celebrados em filmes e séries de TV nos últimos anos.

Mas é relativamente raro questionar os chefões contemporâneos do tráfico, homens que dão as ordens mesmo atrás das grades. Homens como Veiga.

Ele parecia a fonte ideal para um artigo que eu estava escrevendo sobre como a violência do comércio de drogas no Brasil superou a do Paraguai, e fiquei contente quando o advogado dele arranjou o encontro.

Veiga parecia bem disposto quando me recebeu, usando a camisa de futebol amarela que a seleção brasileira transformou em símbolo de patriotismo. Sua cela era equipada com televisão, geladeira e micro-ondas.

Começamos a falar sobre o Rio de Janeiro, onde Veiga foi criado, e onde eu vivo desde 2017. Ele foi criado por pais que descreveu como sendo de classe média baixa em uma favela, uma das constelações de bairros pobres construídos nos morros da cidade.

Com 43 anos, Veiga disse que começou no crime em meados dos anos 1990, quando um grupo de vizinhos o convidou para participar do furto de carros.

“Eu queria aventura”, disse ele, deixando claro que sua família, embora com meios modestos, nunca passou necessidade.

A aventura durou pouco. Veiga foi preso em 1997 e condenado a 26 anos de prisão, por assalto a mão armada e outros crimes. Seus primeiros dias na cadeia foram talvez os mais formadores de sua carreira, segundo ele me disse.

Servindo ao lado de assassinos condenados, ele rapidamente concluiu que sobreviver na prisão exigia forjar alianças estratégicas.

“Eu era um simples ladrão de carros”, disse ele. “Precisava assumir uma postura que mostrasse que eu não era fraco.”

Isso significava forjar laços com alguns dos fundadores do Comando Vermelho, a organização de tráfico de drogas que controla grande parte do mercado no Rio de Janeiro.

Dez anos depois de condenado, Veiga adquiriu o direito de saídas temporárias da prisão. Ele fugiu na primeira oportunidade, em 2007.

Os relacionamentos que fez na prisão abriram caminho para que assumisse diversos papéis de liderança em pontos chaves do Comando Vermelho. Em 2012, enquanto as autoridades avançavam num plano ambicioso para restaurar o controle do Estado em áreas do Rio há muito dominadas por traficantes, Veiga se sentiu exposto e decidiu que estava na hora de uma grande jogada.

“Vim para o Paraguai”, disse ele, sua “única opção.”

No início ele se estabeleceu em Ciudad del Este, uma pujante cidade de fronteira que é uma das mecas do contrabando mundial.

Durante a maior parte de seu tempo aqui, o Paraguai foi uma terra maravilhosa para o crime, segundo Veiga. As propinas a policiais graduados eram tão comuns que as taxas para comandantes de diferentes patentes eram basicamente institucionalizadas.

Veiga disse que pagou a um policial graduado US$ 100 mil como adiantamento para estabelecer a confiança. O mesmo oficial ganhava US$ 5.000 por mês e seus subordinados, US$ 2.000.

Em troca, Veiga era avisado toda vez que as autoridades estavam perto de prendê-lo, permitindo que ele estivesse sempre um passo à frente enquanto organizava remessas de cocaína e armas por meio da fronteira.

Mas depois que a Agência de Combate a Drogas dos EUA (DEA) compartilhou sua localização com autoridades do Paraguai ele foi preso, em dezembro de 2017.

Veiga descreveu suas façanhas com um marcante sentimento de orgulho. Eu lhe perguntei se sentia alguma responsabilidade pela epidemia de violência que assola o Brasil, onde no ano passado houve um número recorde de assassinatos: 63 mil pessoas.

“Eu não quero ver mortes”, disse ele. “Não sinto satisfação com a morte. Mas infelizmente nesta guerra essas coisas acontecem.”

Quando a entrevista terminava, não vi sinal do que as autoridades disseram que aconteceu depois.

Pouco depois que saí da cadeia fortemente protegida, Meza foi deixada na entrada.

Veiga disse que a havia contatado pela primeira vez semanas antes, acessando um site paraguaio que publica anúncios de prostitutas, segundo Hugo Volpe, um dos promotores que investiga a morte.

O advogado Cesar Caballero, que representa a família Meza, disse que a adolescente foi recrutada por uma rede de prostituição meses antes, enquanto trabalhava como vendedora em um mercado no centro de Assunção.

Volpe disse que o ataque fatal foi claramente motivado por um desejo de Veiga de retardar sua extradição para o Brasil, onde o sistema carcerário é mais difícil de enganar.

Mas horas depois do crime Veiga foi levado de avião para o Brasil, para enfrentar o restante de sua pena de 26 anos, e os promotores paraguaios estão formando um caso que esperam que permita que seus colegas brasileiros o condenem pelo assassinato de Meza.

“Isso não trará Lidia de volta ou diminuirá o sofrimento da família”, disse Volpe. “Mas se não agíssemos a sensação de impunidade seria pior.”

Em Assunção (Paraguai)

Maduro: projetos de Bolsonaro, Duque e Macri são inviáveis

Notícias ao Minuto Brasil

presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os projetos políticos dos seus homólogos no Brasil, na Colômbia e na Argentina são inviáveis na região da América Latina e acabarão provocando uma “nova onda” de governos de esquerda.

“Projetos neoliberais de direita na América Latina e no Caribe são inviáveis e vão provocar o ressurgimento de uma nova onda de transformações populares”, disse Maduro, durante uma entrevista divulgada no primeiro dia do ano.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, “passou de 80% de apoio a 80% de repúdio”, opinou Maduro, afirmando que o povo colombiano está “nas ruas pedindo para [Duque] sair” da presidência.

“Jair Bolsonaro – que assumiu o mandato hoje (ontem) – vai seguir o mesmo caminho, e [Maurício] Macri na Argentina também”, observou Maduro.

A América Latina, disse, é “um território em disputa” entre as forças políticas da direita e da esquerda, reiterando que a região está passando por “um processo de regressão” que levará ao ressurgimento de novos governos revolucionários.

Os governos de Macri e Duque já criticaram Maduro, por várias vezes, culpando-o pela grave crise econômica que a Venezuela atravessa.

O novo presidente brasileiro retirou os convites que haviam sido feitos ao chefe de Estado venezuelano e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, por considerar que os seus “regimes violam a liberdade dos seus povos”.

Para Bolsonaro, Venezuela e Cuba estão “abertamente contra o futuro Governo do Brasil por afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições”, referindo-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está detido cumprindo pena de mais de 12 anos de cadeia por corrupção. Com informações da Lusa.

Mundo está conectado, mas desunido, diz Papa Francisco em discurso

papa Francisco lamentou a falta de união no mundo e fez um alerta para a busca desenfreada pelos lucros, em seu discurso de Ano-Novo, nesta terça-feira (1º).

“Quanta dispersão e solidão existe entre nós. O mundo está completamente conectado e, ainda assim, parece crescentemente desunido”, disse o pontífice na tradicional missa de Ano-Novo na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

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Ele disse que um mundo que olhe para o futuro e esqueça “o olhar materno” está míope.

“Pode aumentar seus lucros, mas não verá os outros como crianças. Vai ganhar dinheiro, mas não para todos. Nós iremos viver na mesma casa, mas não como irmãos e irmãs”, disse Francisco.

O pontífice pediu aos católicos que permaneçam unidos à igreja, dizendo que “a unidade conta mais que a diversidade”.

Ele também observou que a igreja está se arriscando a se tornar “um museu do passado” se as pessoas perderem o “o encanto da fé”. Com informações da Folhapress.

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