Trump reitera que manterá governo fechado até muro ser aprovado

Notícias ao Minuto Brasil

Em aguardado pronunciamento à nação na noite desta terça (8), o presidente Donald Trump deixou claro que não moveu um centímetro sua posição de manter o governo federal paralisado enquanto os democratas não aprovarem medidas que contemplem dinheiro para financiar o muro que ele quer construir na fronteira com o México.

Em fala de cerca de oito minutos no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que o governo “permanece fechado por uma e única razão: os democratas não vão financiar a segurança na fronteira”.

“A situação poderia ser resolvida em um encontro de 45 minutos. Eu convidei lideranças do Congresso à Casa Branca amanhã [quarta] para resolver isso”, afirmou.

Os democratas responderam imediatamente após o pronunciamento. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, afirmou que o presidente não deveria manter a população americana “refém” e  que “deveria parar de fabricar uma crise e deveria reabrir o governo.”

Já o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, lembrou que há medidas bipartidárias aprovadas e que podem reabrir o governo, enquanto as negociações sobre a fronteira continuam. “Não há desculpa para ferir milhões de americanos por causa de diferença política”, disse. “Nós não governamos sob birra.”

Durante o pronunciamento, o presidente aproveitou para tentar responsabilizar os democratas pela paralisação parcial do governo, que entra em seu 19º dia. Ele acusou, por exemplo, os adversários de terem mudado de posição sobre o tema.

“[O líder da minoria democrata no Senado] Chuck Schumer repetidamente apoiou uma barreira física no passado, junto com outros democratas”, disse. Os democratas só mudaram de ideia depois que eu fui eleito.”

Segundo o republicano, o muro, agora, será de aço, em vez de concreto, “a pedido dos democratas”.

Trump também apelou para o sentimentalismo, afirmando que o país enfrenta uma crise “humanitária, do coração e da alma”. Ele citou dados para respaldar sua alegação de que há uma crise migratória no país que compromete a segurança da população americana, citando uma série de crimes cometidos, segundo ele, por estrangeiros.

O primeiro caso citado foi o do policial Ronil Singh, morto na Califórnia ao parar um carro em que estava um imigrante ilegal. “O coração dos Estados Unidos foi partido um dia depois do Natal, depois que um policial foi morto por um estrangeiro que não tinha direito de estar no nosso país.”

Trump citou outros casos semelhantes e questionou: “quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove [dinheiro para o muro]?”.

O presidente voltou a dizer que o muro vai se financiar, seja pela redução do custo de combate ao tráfico de drogas ou indiretamente pelo acordo comercial fechado com México e Canadá e que substituirá o Nafta.

Ao citar a questão das drogas, o republicano tentou relacionar a crise de opioides vivida pelos EUA à atuação de traficantes que seriam imigrantes ilegais. “Mais americanos morrerão pelas drogas neste ano nos EUA do que durante toda a Guerra do Vietnã”, afirmou.

A CNN ressalta, porém, que o presidente quis associar o total de mortes por overdose de drogas à provocada pelo entorpecente que entra ilegalmente pela fronteira, o que seria enganoso. Muitas delas, por exemplo, são causadas por remédios controlados e vendidos sob prescrição médica.

Já o The New York Times lembra que, embora a maior parte da heroína traficada para os EUA entre pela fronteira sul, opioides como o fentanil são enviados por pacotes diretamente da China e chegam por portos de entrada legais.

Havia dúvidas sobre o que o presidente falaria na noite desta terça. Alguns analistas esperavam que ele declarasse emergência nacional, possibilidade não concretizada no pronunciamento.

A paralisação mantém 800 mil funcionários de licença não remunerada ou trabalhando sem receber pagamentos. Parques nacionais estão fechados, pedidos de hipoteca para comprar a casa própria, atrasados e mesmo empresas com ações em Bolsa não conseguem aprovação para levantar capital.

Na última quinta (3), no primeiro dia do controle democrata da Câmara dos Deputados, os congressistas aprovaram duas medidas que buscavam reabrir o governo.

Foram aprovadas duas medidas separadas. Uma incluía dinheiro para financiar temporariamente o Departamento de Segurança Doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro, dando tempo para que democratas e republicanos continuem as negociações sobre o financiamento ao muro.

Outra proposta financiaria os departamentos de Agricultura, Interior e outros até 30 de setembro, quando termina o atual ano fiscal.

Mas, sem o dinheiro para o muro, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se recusou a colocar as propostas para votação.

Até agora, o governo americano já sofreu 21 paralisações desde que o Congresso introduziu a lei de controle que determina o processo orçamentário no país.

A paralisação parcial já é a segunda maior registrada pelo governo americano, superando a paralisação de 17 dias completos em setembro de 1978, da Presidência de Jimmy Carter.

Só está atrás do apagão de dezembro de 1995, do democrata Bill Clinton, iniciado após o presidente vetar a lei de gastos proposta pelo Congresso, dominado por republicanos. Depois de três semanas, os dois lados concordaram em passar um plano orçamentário de sete anos que incluía cortes moderados de gastos e aumentos de impostos. Com informações da Folhapress.

Arrascaeta no Fla é a maior compra da história do futebol brasileiro

 Notícias ao Minuto Brasil   O uruguaio De Arrascaeta vai vestir a camisa do Flamengo na temporada de 2019 depois de uma negociação histórica. Após longas reuniões em Montevidéu, nesta terça-feira (8), o clube rubro-negro se acertou com o cruzeiro, concretizando a transferência do meia para o Ninho do Urubu.

O valor negociado foi de 15 milhões de euros (R$ 63,7 milhões), o maior da história do futebol brasileiro.

Arrascaeta assinará com o Flamengo um contrato até 2022. Até então, a compra mais cara efetivada por uma equipe brasileira havia acontecido com o atacante Tévez. Para contratar o jogador em 2005, o Corinthians pagou cerca de R$ 60 milhões.

O Cruzeiro receberá 8,5 milhões de euros pelos 25% que tem sobre o jogador. A outra parcela, que pertence ao Supermercados BH, foi negociada por 4 milhões de euros.

Os outros 2,5 milhões ficarão com o Defensor, ex-clube do atleta, e com agentes do jogador, que possuem 25%. André Cury, empresário que representou o Cruzeiro na negociação, ficará com 10% do montante.

GABIGOL JÁ VESTE A CAMISA

Gabigol vestiu a camisa do Flamengo e apareceu pela primeira vez, nesta terça, como novo reforço do clube rubro-negro em vídeo vazado na internet. O clube carioca afirmou que não tem nenhuma relação com o vídeo e que aguarda que o atacante realize exames nesta quarta-feira (9) antes de anunciá-lo.

“Fala, pessoal, aqui é o Gabriel. Já estou com o manto. Faço parte da nação. Estamos juntos”, disse Gabigol.

Mais cedo nesta terça, ele obteve a liberação da Inter de Milão para atuar por empréstimo de um ano no time carioca.

Na negociação, ficou acordado que o Flamengo arcará com os salários do atacante, que por outro lado aceitou estender seu contrato com a Inter de Milão por mais um ano (até 2021).

Pesou para a decisão o fato de Gabigol demonstrar muito interesse em defender o Flamengo em 2019. Ele estava fora dos planos da Inter de Milão, mas os italianos, a princípio, preferiam que o jogador continuasse na Europa. Com informalções da Folhapress.

 

Chuva dos últimos dias ainda não foi suficiente para normalizar déficit hídrico

Voltou a chover em áreas de produção de grãos do Paraná no fim de semana, mas o déficit hídrico ainda ameaça o potencial produtivo das lavouras e atrasa o plantio de segunda safra, segundo reportou o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura.

“As chuvas beneficiam o desenvolvimento das lavouras em geral, mas, infelizmente, o período de estiagem e as altas temperaturas nos meses de novembro e dezembro diminuíram o potencial produtivo principalmente das culturas de verão. O porcentual de perdas está sendo levantado”, informa o escritório regional de Apucarana.

No município, a soja encontra-se em floração e frutificação e o milho em frutificação.

Na região de Cascavel, onde a chuva no sábado e no domingo foi isolada – atingiu apenas seis dos 28 municípios que compreendem o núcleo regional – a falta de umidade retarda o plantio do milho segunda safra.

“A cultura do feijão já está com 75% da área colhida, com produtividade de 2.200 quilos por hectare. No milho primeira safra, o comprometimento é bem menor com relação a cultura da soja”, diz a regional, sem dar mais detalhes.

Em Umuarama, de acordo com a regional, o município de Tuneiras do Oeste, onde se produz soja, foi o único a registrar volume de chuva significativo. “Nos outros municípios em que temos produção da oleaginosa as chuvas foram muito fracas, com média de 5 milímetros. A esperança dos produtores era de que uma chuva generalizada pudesse interromper as perdas nas lavouras mais novas”.

Para os próximos dias, a meteorologia, conforme o relatório do Deral, aponta chance de chuva fraca.

Petrobras reduz preço da gasolina em 1,38% nas refinarias

A Petrobras anunciou hoje (8) uma redução de 1,38% no preço da gasolina vendida em suas refinarias. O litro do combustível passará a ser comercializado a R$ 1,4337 a partir de amanhã (9), dois centavos a menos do que o preço praticado hoje (R$ 1,4537).

Essa é a terceira queda consecutiva do preço do combustível, que começou o ano sendo vendido a R$ 1,5087 por litro. Desde o dia 1º, a gasolina acumula queda de 4,97% no preço nas refinarias da estatal.

O preço do diesel foi mantido em R$ 1,8545, o mesmo valor desde 1º de janeiro.

Brasileiro não consegue pagar gastos de início do ano com o que ganha

Apenas 9% dos brasileiros dizem que têm condições de pagar as despesas sazonais do início do ano com o próprio rendimento, mostra levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O levantamento considera despesas como o pagamento dos impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do material escolar.

De acordo com a pesquisa, 11% dos entrevistados não fizeram planejamento financeiro para pagar tais compromissos neste início de ano. Foram entrevistadas 804 pessoas de ambos os sexos e acima de 18 anos, de todas as classes sociais, em todas as regiões brasileiras. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

Cresceu, por outro lado, o percentual de consumidores (21%, em 2017, para 31% em 2018) que juntaram dinheiro ao longo do ano passado para arcar com essas despesas típicas deste período. Um terço dos entrevistados disse ter guardado ao menos uma parte do13º salário para cobrir esses gastos, enquanto 24% abriram mão das compras de natal para economizar.

O levantamento aponta ainda que 19% fizeram algum bico ou trabalho extra para aumentar a renda e honrar esses compromissos.

Simulação

Para saber a melhor forma de pagar os impostos do início do ano, à vista com desconto ou parcelado, a CNDL e o SPC fizeram uma simulação. As entidades destacam que, para saber o que é mais vantajoso, é preciso avaliar se o desconto oferecido é maior do que o valor que esse dinheiro renderia caso estivesse em alguma aplicação financeira de fácil resgate. Cada estado e município têm regras próprias.

A simulação mostra que, no caso do IPVA, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde o imposto pode ser dividido em até três pagamentos, a quitação à vista tende a ser mais vantajosa. O desconto oferecido é de 3%.

Considerando um valor hipotético de R$ 1.200, o desconto resultaria em um abatimento de R$ 36 se fosse pago de uma única vez. Se a escolha fosse investir o valor do IPVA e sacar as parcelas a cada vencimento, o rendimento final seria de R$ 6, considerando uma aplicação com juros de 0,5% ao mês, equivalente a investimentos de renda fixa.

Piloto da aeronave presidencial foi 1ª mulher no Esquadrão Escorpião

O Airbus A-319, utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro, é pilotado há dois anos pelo capitão aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) Carla Borges. Na sua conta no Twitter, Bolsonaro destacou a informação de que a militar foi a primeira mulher a integrar o Esquadrão Escorpião (1º/3º GAV), em Boa Vista, em Roraima, que emprega o A-29 Super Tucano na defesa das fronteiras.

A capitão está no posto desde dezembro de 2016 e foi escolhida pelo conselho operacional da Força Aérea Brasileira (FAB), composto por três chefes de esquadrões. Segundo a FAB, Carla Borges foi a primeira mulher a chegar à primeira linha da aviação de caça. Em 2011 realizou o voo solo no A-1, avião de caça usado em missões de ataque ao solo.

O grupo de pilotos que integra o quadro de tripulantes dessa unidade da FAB é seleto. Para ingressarem, os pilotos são submetidos a um conselho operacional em que participam os chefes dos esquadrões (são três) e das seções envolvidas.

Em 1982, quando a FAB recebeu a primeira turma feminina, as mulheres eram exceção. Depois, elas passaram a ocupar os mais distintos postos – das cabines de aeronaves de combate ao comando de uma organização militar.

Em 2016, a então capitão aviador Joyce de Souza Conceição foi a primeira piloto brasileira a pousar no continente antártico. A capitão Adriana Gonçalves é também piloto operacional da maior aeronave em operação atualmente na FAB, o Boeing 767, e participou de missões internacionais da FAB, como o transporte de tropas para o Haiti.

Procura por Nota do Produtor Rural tem sido intensa nos últimos dias em Guaíra

Guaíra tem um economia baseada na agricultura e os meses de plantio e colheita sempre dinamizam o cotidiano da cidade.

Esse ano a colheita do soja adiantou devido as intempéries do tempo, a falta e chuva ocorrida em novembro e principalmente dezembro. Com a seca a colheita iniciou ainda no fim de 2018 e segue a todo vapor nessas primeiras semanas de janeiro.

Com isso a procura pela nota do produtor tem sido intenso no Paço Municipal. O documento é obrigatório para acompanhar a produção agropecuária nas operações efetuadas pelo produtor, seja venda ou transporte e também serve para comprovar a atividade rural junto ao INSS.

Sendo assim, mesmo com o decreto de recesso nos dias 27 e 28 de dezembro para servidores municipais, a prefeitura não deixou de atender os produtores que precisaram retirar a nota no período. Cerca de cem produtores tem sido atendidos por dia no Paço Municipal. Para facilitar o atendimento, está sendo disponibilizados senhas, além de um bom café para amenizar o tempo de espera.

‘Paraguai é terra da impunidade’: a entrevista de Marcelo Piloto antes de matar mulher na cadeia

Ernesto Londoño

Em Assunção (Paraguai)

Antes de ser autorizado a entrar na cela de prisão de um famoso barão da droga no Paraguai, preparei-me para uma revista corporal intrusiva. Mas o guarda magro parado em frente às grades mal me tocou, passando rapidamente as mãos por meus braços e minhas costas.

Eu estava na prisão para entrevistar Marcelo Pinheiro Veiga, que havia recorrido a uma jogada audaciosa para não ser extraditado para seu país natal, o Brasil: confessou uma série de crimes que cometeu no Paraguai.

Depois da revista negligente, entrei na pequena cela e me sentei a cerca de 30 centímetros de Veiga, perto o suficiente para notar que seu hálito estava fresco.

“O Paraguai é a terra da impunidade”, disse-me Veiga depois de descrever a longa carreira criminosa que o fez tornar-se um dos maiores contrabandistas de armas e drogas do Paraguai para o Brasil.

Horas depois, era difícil não interpretar essas palavras como um banho de sangue antecipado.

Logo depois que saí da cela de Veiga, em 17 de novembro, Lidia Meza Burgos, 18, foi levada para dentro, segundo policiais paraguaios. Com a simples faca de mesa que ele usava para comer, Veiga a apunhalou 17 vezes no pescoço, no peito e nas costas, matando-a.

As autoridades paraguaias acreditam que o assassinato foi uma escalada macabra na aposta do traficante para continuar sob sua custódia e evitar as condições de detenção mais duras que enfrentaria no Brasil.

Como um ex-repórter criminal e correspondente de guerra, entrevistei muitos homens violentos. Mas esse episódio me abalou como nunca antes.

Desde aquele dia, passei muitas horas reescutando trechos de minha conversa com Veiga, em busca de um sinal do que estava por vir.

Pensei incessantemente em Meza, e a terrível decisão que ela deve ter enfrentado sobre se deveria entrar no território de um homem responsável por tantos crimes monstruosos.

Também me vi refletindo sobre a indústria de narcóticos, uma praga que projeta uma sombra sobre minha vida desde a infância.

Nasci em Bogotá, na Colômbia, em 1981, década em que Pablo Escobar e outros barões da droga começaram a escrever um capítulo destrutivo da história do país.

Quando criança, fiquei entusiasmado quando meus pais levaram a família ao zoológico construído por Escobar na Hacienda Nápoles, sua grande propriedade perto de Medellín, onde hipopótamos, girafas e elefantes ajudavam a atenuar a imagem de um homem que matou dezenas de pessoas e envenenou a política do país de maneiras que perduram até hoje.

Como adulto, eu temia apresentar meu passaporte nos aeroportos do exterior. Por muito tempo ele pareceu carregar um símbolo de cocaína que me submetia, e a muitos de meus compatriotas, a temíveis salas de inspeção, onde as pessoas são obrigadas a demonstrar que não representam os piores estereótipos de seus países.

Das muitas correntes no comércio de drogas, os principais traficantes sempre foram os mais enigmáticos para mim. Muitos, notadamente Escobar, foram celebrados em filmes e séries de TV nos últimos anos.

Mas é relativamente raro questionar os chefões contemporâneos do tráfico, homens que dão as ordens mesmo atrás das grades. Homens como Veiga.

Ele parecia a fonte ideal para um artigo que eu estava escrevendo sobre como a violência do comércio de drogas no Brasil superou a do Paraguai, e fiquei contente quando o advogado dele arranjou o encontro.

Veiga parecia bem disposto quando me recebeu, usando a camisa de futebol amarela que a seleção brasileira transformou em símbolo de patriotismo. Sua cela era equipada com televisão, geladeira e micro-ondas.

Começamos a falar sobre o Rio de Janeiro, onde Veiga foi criado, e onde eu vivo desde 2017. Ele foi criado por pais que descreveu como sendo de classe média baixa em uma favela, uma das constelações de bairros pobres construídos nos morros da cidade.

Com 43 anos, Veiga disse que começou no crime em meados dos anos 1990, quando um grupo de vizinhos o convidou para participar do furto de carros.

“Eu queria aventura”, disse ele, deixando claro que sua família, embora com meios modestos, nunca passou necessidade.

A aventura durou pouco. Veiga foi preso em 1997 e condenado a 26 anos de prisão, por assalto a mão armada e outros crimes. Seus primeiros dias na cadeia foram talvez os mais formadores de sua carreira, segundo ele me disse.

Servindo ao lado de assassinos condenados, ele rapidamente concluiu que sobreviver na prisão exigia forjar alianças estratégicas.

“Eu era um simples ladrão de carros”, disse ele. “Precisava assumir uma postura que mostrasse que eu não era fraco.”

Isso significava forjar laços com alguns dos fundadores do Comando Vermelho, a organização de tráfico de drogas que controla grande parte do mercado no Rio de Janeiro.

Dez anos depois de condenado, Veiga adquiriu o direito de saídas temporárias da prisão. Ele fugiu na primeira oportunidade, em 2007.

Os relacionamentos que fez na prisão abriram caminho para que assumisse diversos papéis de liderança em pontos chaves do Comando Vermelho. Em 2012, enquanto as autoridades avançavam num plano ambicioso para restaurar o controle do Estado em áreas do Rio há muito dominadas por traficantes, Veiga se sentiu exposto e decidiu que estava na hora de uma grande jogada.

“Vim para o Paraguai”, disse ele, sua “única opção.”

No início ele se estabeleceu em Ciudad del Este, uma pujante cidade de fronteira que é uma das mecas do contrabando mundial.

Durante a maior parte de seu tempo aqui, o Paraguai foi uma terra maravilhosa para o crime, segundo Veiga. As propinas a policiais graduados eram tão comuns que as taxas para comandantes de diferentes patentes eram basicamente institucionalizadas.

Veiga disse que pagou a um policial graduado US$ 100 mil como adiantamento para estabelecer a confiança. O mesmo oficial ganhava US$ 5.000 por mês e seus subordinados, US$ 2.000.

Em troca, Veiga era avisado toda vez que as autoridades estavam perto de prendê-lo, permitindo que ele estivesse sempre um passo à frente enquanto organizava remessas de cocaína e armas por meio da fronteira.

Mas depois que a Agência de Combate a Drogas dos EUA (DEA) compartilhou sua localização com autoridades do Paraguai ele foi preso, em dezembro de 2017.

Veiga descreveu suas façanhas com um marcante sentimento de orgulho. Eu lhe perguntei se sentia alguma responsabilidade pela epidemia de violência que assola o Brasil, onde no ano passado houve um número recorde de assassinatos: 63 mil pessoas.

“Eu não quero ver mortes”, disse ele. “Não sinto satisfação com a morte. Mas infelizmente nesta guerra essas coisas acontecem.”

Quando a entrevista terminava, não vi sinal do que as autoridades disseram que aconteceu depois.

Pouco depois que saí da cadeia fortemente protegida, Meza foi deixada na entrada.

Veiga disse que a havia contatado pela primeira vez semanas antes, acessando um site paraguaio que publica anúncios de prostitutas, segundo Hugo Volpe, um dos promotores que investiga a morte.

O advogado Cesar Caballero, que representa a família Meza, disse que a adolescente foi recrutada por uma rede de prostituição meses antes, enquanto trabalhava como vendedora em um mercado no centro de Assunção.

Volpe disse que o ataque fatal foi claramente motivado por um desejo de Veiga de retardar sua extradição para o Brasil, onde o sistema carcerário é mais difícil de enganar.

Mas horas depois do crime Veiga foi levado de avião para o Brasil, para enfrentar o restante de sua pena de 26 anos, e os promotores paraguaios estão formando um caso que esperam que permita que seus colegas brasileiros o condenem pelo assassinato de Meza.

“Isso não trará Lidia de volta ou diminuirá o sofrimento da família”, disse Volpe. “Mas se não agíssemos a sensação de impunidade seria pior.”

Em Assunção (Paraguai)

Ministério aguarda pedidos de transferência de presos do Ceará

Notícias ao Minuto Brasil

Após disponibilizar 20 vagas em presídios federais de segurança máxima para líderes de facções criminosas atuantes no Ceará, o Ministério da Justiça e Segurança Pública aguarda a chegada da maioria dos pedidos de transferência. Até a tarde dessa segunda-feira (7) deu entrada no Departamento Penitenciário Nacional (Depen) apenas uma solicitação, já autorizada pela Justiça – o nome e o grupo a que pertence não foram divulgados.

O processo de transferências de presos não é instantâneo. Depende de uma decisão da Justiça Federal. O pedido pode partir das autoridades administrativas locais, do próprio preso ou do Ministério Público, e há um prazo de cinco dias para manifestação destas três partes e do Depen, antes de uma decisão.

Em casos de extrema necessidade, o juiz federal pode autorizar a imediata transferência do preso – e só depois, após ouvir as partes, decidir pela manutenção ou revogação da medida adotada. A transferência pode ser feita tanto atendendo ao interesse do Estado quanto do próprio preso, caso se sinta ameaçado. Todas essas regras estão descritas na Lei 11.671/2008.

O secretário de Segurança Pública do Ceará, André Costa, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que novos pedidos de transferência chegarão ao ministério nesta semana. “Enquanto não pararem esses ataques haverá mais vagas disponibilizadas e transferências feitas”, afirmou.

Embora tenham sido disponibilizadas 20 vagas, segundo uma fonte no ministério, há disponibilidade de o ministério abrir até 300 vagas, se necessário.

Questionada sobre as transferências, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que não pode prestar informações a respeito por questões de segurança. Com informações do Estadão Conteúdo.

Criticando juíza, Moro e Bolsonaro, Lula entrega defesa sobre sítio

Notícias ao Minuto Brasil

Adefesa do ex-presidente Lula entregou na noite desta segunda-feira (7) as alegações finais na ação penal do sítio de Atibaia (SP), em que é acusado de corrupção e lavagem.

Os advogados pedem a absolvição e criticam o ex-juiz Sergio Moro, a atual juíza responsável, Gabriela Hardt, e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A entrega desse documento é a última fase antes da publicação da sentença por Hardt no caso.

Os advogados produziram um documento de 1.634 páginas e 23 documentos anexos.

Um dos principais argumentos da defesa é a suposta parcialidade de Moro, que comandou o caso até novembro, quando deixou a magistratura para ser ministro da Justiça de Bolsonaro.

A defesa, comandada pelo advogado Cristiano Zanin, voltou a afirmar que o ex-presidente é vítima de “lawfare” -uso de instrumentos jurídicos para perseguição política.

Cita ataques de Bolsonaro a Lula ao longo da campanha eleitoral, como a declaração de que iria “fuzilar a petralhada”, para reforçar a contestação à nomeação de Moro para o governo.

“A pessoa que aceitou comandar o ‘Ministério da Justiça ampliado’ do presidente eleito -o mesmo que afirmou que o defendente [Lula] irá ‘apodrecer na cadeia’ e que seus aliados serão presos se não deixarem o país e o juiz que tomou diversas medidas ilegais e arbitrárias contra o defendente com o objetivo de promover o desgaste da sua imagem”, diz trecho do documento.

Lula está preso em Curitiba desde abril em decorrência de condenação em outro processo da Lava Jato, sobre o tríplex em Guarujá (SP) reformado pela OAS. Com informações da Folhapress.

Gostaria de fazer parte da nossa rede de amigos? Basta Clicar aqui!Sim, Eu Quero!